Terra do nunca

por Douglas Ricci
[@blogaus]


Se sua vida acabasse agora, você estaria satisfeita com como ela foi? Você
teria vivido e aproveitado a oportunidade de estar no seu corpo? A escritora
protagonista da curtinha narrativa de “Terra do Nunca” se depara com essas
questões ao adentrar um mundo de sombras, onde encontra personagens que
dividem com ela suas trágicas histórias de vida.

Cinco mulheres e um menino vivem neste espaço pós-morte que ela adentra,
provavelmente ao entrar no limiar entre a vida e a morte – o que, considero,
não ficou muito claro na dramaturgia –: ali, a partir do compartilhamento de
suas histórias, eles a fazem refletir sobre o valor de sua existência. A escritora,
então, volta à sua vida e conclui que a única maneira de se manter viva é
através da arte, e escreve sobre sua experiência além morte. 

Há apontamentos claros na encenação no que diz respeito ao figurino, que
parece remeter ao início do século passado; bem como quanto à escolha de
um teatro narrativo, tanto na encenação como em aspectos da dramaturgia,
que ao meu ver pode ainda ser mais explorada, trazendo outros
desdobramentos de discursos. Destaco que é bonito ver o entrosamento do
grupo na encenação e o trabalho das atrizes em suas narrativas.