por Paulo Maeda
[@paulomaeda1]
Uma figura iluminada com uma lanterna, de um azul fantasmagórico, surge no alto da sala Alberto Guzik, ao som de Björk caminha lentamente em direção ao palco, atravessa a plateia no caminho, carrega uma mala e um esqueleto de guarda-chuva – o nome da peça já me traz referências de um mundo com fortes chuvas ácidas. Quando chega em cena, delimita seu espaço cênico e abre sua mala – Ígor Rozza joga com a plateia com gags de clown, cria uma espécie de simpatia por sua figura que só se pronuncia em gramelô.
Essa primeira empatia logo vai se transformando no decorrer de sua performance, desde o início ele apresentava elementos de bufão, porém a infantilidade da figura vai ganhando camadas escatológicas – aqui o termo cabe em suas duas acepções – traços acentuados de violência se intensificam e novos elementos vão surgindo da mala, o espaço delimitado e quadriculado vira uma teia para capturar inocentes, um varal de atrocidades.
Direção, dramaturgia e atuação estão em sintonia, propõe em cena um espetáculo que caminha numa linha ténue entre como devemos lidar diante da violência. Que fim sobra a essa figura? Para onde ela irá depois de nos mostrar seus mais íntimos desejos? Ele nos deixa um amontado de fitas e roupas de baixo… e vai embora. Como enfrentamos esses monstros do fim do mundo? Reflito sobre essas questões… e como inquietamos o público com essas nossas questões. Também pontuar o quão bom é ver grupos de outras regiões do nosso país circulando, o grupo Camboio de Doido é de Taquarana, Alagoas.
Que o Festival Satyrianas abra, cada vez mais, abra espaço para coletivos de outras regiões.
