por Marcio Tito
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Com diálogos ágeis e utilizando o Brasil recente como dispositivo, o material elabora uma espécie de caleidoscópio acerca das nossas contradições sociais e culturais, e termina por revelar, sem tornar-se demasiado explicativo, o modo como todos e todas as artistas estão sempre perto de terem suas carreiras tomadas por aquilo que o mundo faz de todos nós.
Neste ponto, amparando o material em uma série de efeitos cômicos, em partes, o sentimento da sinopse tartamudeia e passamos a lidar com uma quase longa sequência de perturbações cômicas, contudo, ainda assim, o enredo não se perde por completo e, pela boa qualidade do riso, mantemo-nos perto da obra, especialmente pelo valor escrachado e positivamente debochado das falas trazidas pelo elenco objetivo e nítido na maior parte da leitura.
Vale pontuar que o texto é uma segura continuidade do que podemos reconhecer acerca do texto de Vana, cuja obra está sempre perto da farsa e de um ponto ou fato que, adiante, tomará conta da situação de modo totalizante, revelando o que há de mais denso e profundo nas falas que performam leveza e casualidade, mas trazem consigo a firmeza de uma autora que observa não somente a face, mas também as entranhas de seu nefasto e maltrapilho país.
