É sobre mim, mas pode ser sobre você também

por Alexandre Gnipper
[@alexandregnipper]

Em um clima intimista e acolhedor, o autor recebe o público em um palco
vibrante e alegre, onde a leveza da cena, mas do que contrapor o teor do texto,
atesta o fator de superação, para quem crê na sustentação da alegria resiliente
como a última e derradeira forma de resistência.

Com uma narrativa biográfica que mistura relatos da história de uma vida com
reflexões existências profundas, e muitas vezes bem-humoradas, o espetáculo
cativa do início ao fim. Construído a partir da consciência do potencial do palco
como espelho reflexivo e pensante das angústias e dilemas individuais de um
público, cujas individualidades nem sempre podem ser representadas em seu
cotidiano.

Ser visto para fazer ver, elaborar e re-existir. Elaborar em cena a própria
história, estetizar as angústias de uma existência como forma de transcender
uma dor que é individual, mas coletiva também. Muitas são as lições de um
espetáculo que se torna grandioso naquilo que se mostra singelo, delicado e
firme ao mesmo tempo, memórias de infância se mesclam com o salto da
consciência política, reelaborando o passado como forma de se deter controle
sobre o presente.

É um espetáculo que nos ensina a “rir do absurdo” ou a “ver a vida como um
truque de mágicas, transformando a dor em espetáculo”, como alega o próprio
texto da peça, se configurando como um rito de empoderamento alegre e
vibrante.