por Luê Stracia
[hastaluego.br]
Para todos que cresceram assistindo Rupaul’s Drag Race, o show de Drag
Queens do Coletivo Casa Aberta entregou toda a “royalness” (aquela chiqueza)
esperada. O grupo, de Ribeirão Preto, mostrou, de maneira divertida e
performática, que muitos corpos e realidades cabem em uma apresentação
drag – algo bastante debatido no meio – como corpos magros, gordos, com
barba, sem barba, mulheres cis, homens trans, pessoas não binárias e
travestis.
Desde o início, vimos que não se tratava de uma performance drag clássica,
mas de uma mistureba boa de habilidades, deboche e muita versatilidade. A
mãe drag da noite, Tina Aberta, apresentou o show com muito brilho, em um
clima de Cabaret (bebidas destiladas servidas ao público, roupas sensuais) e
avisou de antemão: “o que acontece no cabaré, fica no cabaré”. Só então
começaram os números da noite com Lukisa, Ruby Wild, Lexy Wild, Gaya
Costa, Tiffany Grace e Antonella.
Entre lipsyncs (dublagens) de cantoras pop tais como as PussyCat Dolls, Lady
Gaga, Gloria Gaynor e Marina Sena, bem como por meio de números de teatro
musical, batalhas de dublagem cômicas, acrobacias e leituras poéticas, o grupo
mostrou propriedade sobre a “montação” – tanto no figurino, maquiagem,
quanto no conhecimento histórico/político/social do que significa ser drag – e
abriu espaço para novos talentos (Drag Reborns).
Isso significa que o show drag transgrediu muitas imposições existentes no
próprio meio, indicando que o acolhimento, nunca o preconceito, é o único
caminho possível para e entre artistas queer.
