Primeiro Encontro

por Paulo Maeda
[@paulomaeda1]

O título entrega: será a primeira vez que dois homens, Miguel e Romeu, se
encontram. Marcam numa balada, depois de Miguel recusar o primeiro convite
para casa de Romeu, depois de ter recusado um segundo convite para um
jantar, aceita, e ali acontece o diálogo da peça.

Entramos na sala Vange Leonel, o som está alto, a luz é de balada, dois
homens dançam e se olham, o público está tímido diante da proposta, alguns
dançam, outros, tímidos, se ancoram às paredes da sala. Miguel e Romeu se
conheceram num aplicativo, na terceira tentativa combinam nessa balada, onde
nos encontramos. Entendemos que Miguel nunca teve um encontro com um
homem, teve experiências junto à sua ex, para “apimentar” a relação. A
discussão entre os dois se dá neste lugar, espaço de curiosidade, desejo,
medo, vergonha, desculpas e razões.

Miguel é um personagem muito racional, muito sincero com o que sente e
como seu pensamento é construído, entende suas contradições e expõe isso a
Romeu, em poucos momentos, didaticamente. Romeu é mais impulsivo, ele é
desejo em contraposição a razão (será que são polaridades?). Sabe o que
quer, e dentro dessa certeza também é sincero e se expõe ao outro. Essa
exposição vira jogo nas bocas de André Kirmayr e Fabrício Pietro, jogo vivo e
pulsante passeando pelo espaço onde estamos. Eles compõem bem as
transições de estados atravessadas pelas personagens durante essa noite.
Transpor o curta, gravado no canal Take Único, para o teatro trouxe alguns
desafios e propuseram alguns jogos com o público, talvez ainda tateando
timidamente neste lugar de transposição. Timidez logo esquecida pela troca
atenta entre os atores.