Por Carlos Sabbag
Nesta leitura dramática — já com desenho de cenas e a presença de rascunhos de figurino, adereços, cenário e elementos cênicos —, logo de início o espectador se depara com o estranhamento no momento em que ingressa um senhor aparentando cerca de sessenta anos, todavia dizendo que tem vinte e dois.
A simples lembrança do recente e desesperador período da pandemia da Covid traz uma angústia dos tempos difíceis que o mundo passou, quando todos tiveram que se isolar em suas residências.
Flertando com o realismo fantástico, várias frases presentes no texto ficarão guardadas na memória daqueles que puderem assistir à montagem, tais como: “Era como encostar a concha no ouvido e descobrir que o mar tinha acabado” e “Algumas mentiras, quando a gente diz em voz alta, começam a respirar”.
Sem revelar os fatos para não estragar a surpresa, é tocante a cena que reproduz a escultura Pietà, de Michelangelo, uma das mais famosas do Renascimento.
