Um Anjo de Asas Bem Abertas

Por Matheus Barbuio

O tema principal da peça é a memória, acompanhamos a memória afetivo de uma pessoa, mas que também está dentro de um momento tenebroso da história do  país, do qual cada grupos têm diferentes memórias, cada um tentando impor qual recordação é a verdadeira, mas nesse espetáculo nada é impositivo, só acompanhamos as recordações cansadas de um professor.

A personagem recorda de uma amiga, uma figura mítica pela qual ele nutriu um amor platônico, uma figura da qual ele se orgulha por ter sido capaz de construir uma amizade. Essa amiga é um dispositivo ótimo para construir um espetáculo sobre o lembrar, já que o afeto deixa tudo mais distorcido, acompanhamos com compreensão a busca do professor por recordar, chegando a apelar para o sentido do tato, na tentativa de capturar uma lembrança.

A encenação é minimalista, composta por um ator usando um figurino casual, uma cadeira e uma luz simples. Para buscar memórias isso já basta, afinal o mais importante não é o que está aqui, mas o que já foi. Quando se tem pouco, sobra para o trabalho do ator para preencher esse espaço e Celso Cruz faz isso com maestria, ele consegue construir muito bem esse lugar do estar afetado pelo esteve.