Reescrita

Por Lucas Costa 

Nesta abertura de processo, Tammy Aires constrói um monólogo acerca de uma menina expansiva e carismática que, depois de sofrer uma violência, acaba por se encolher nos papéis sufocantes que lhe foram impostos. Vemos, então, à partir de relações com a mitologia de Medusa e tomando a cobra como metáfora, a reivindicação por tornar-se aquilo que é, deixando para trás a pele morta que não consegue dar conta da vida e do desejo de uma mulher inteira.

Com a trilha sonora original para a obra como um dos destaques, na construção de uma paisagem árida a sinuosa, o ponto alto do solo fica por conta da performance hipnótica de Tammy.

Assimilando na partitura corporal as propostas simbólicas que elege para contar sua história, a atriz trafega por registros de humor e tragédia, sensualidade e vulnerabilidade com pleno domínio da cena

A estréia aponta para o nascimento de uma obra já madura nas mãos de uma artista inquieta e consciente.