Maria Bege

Por Lucas Costa

Nesta peça de elementos épicos, acompanhamos Maria Bege, uma mulher comum, em uma jornada inusitada por sua memória, logo após seu namorado aparecer misteriosamente morto.

O texto original de João Hannuch constrói um humor que funciona muito bem, parodiando gêneros da cultura pop, como histórias de detetive e programas de auditório, nesta história que se passa nas lembranças nada confiáveis da protagonista. 

Depois de conquistar o público pelos risos, e há que se ressaltar o carisma e a empolgação do elenco, formado por alunos da Nilton Travesso, que parece se divertir em cena tanto quanto quem assiste, a peça dá uma súbita virada sem medo de ir a fundo na gravidade dos temas e na forma de retratá-los.

A violência contra a mulher, a normalização dessa violência e as maneiras como a mente humana pode ludibriar quem passa por um trauma entram em cena com boas sacadas dramaturgicas e uma personagem bem construída para fazer rir e pensar.