Creare um solo pra stare

Por Janjardi

Num laço curioso, “Creare um solo pra stare” se inicia com uma cadeira ao centro e ilumina cada vez uma região do palco, trazendo ao público uma atenção pelo que vem a seguir. Santiê entra em cena nesse solo e começa a dar início a um gestual corporal extremamente presente enquanto ouvimos um áudio de sua voz recitando e devaneando sobre questões pessoais e reflexivas. 

No desenrolar dado por questões como “o que um corpo pode?”, “o que coloca um sorriso em meu corpo”, existe certa decifração de dilemas pessoais e corporais. 

Se dá por essa relação uma grande proximidade com a dançarina, não só pelo excelente trabalho corporal contagioso, mas o como ela nos convida e traz para essa narrativa. Existe certo tônus muscular interpretativo que é interferido pela constante montagem de áudios, e acho que aqui definitivamente temos um lugar muito autêntico da apresentação. 

Em dado momento a artista senta na cadeira e olha o público, reproduzindo seus movimentos. Após um tempo olhando nos olhos daqueles que a assistem, existe uma dinâmica em que sua dança que tem sempre relação direta com a cadeira. Subir em cima, arrastar, se esconder atrás dela… essa hipnose se delinea até chegarmos com ela nos olhando e pergunta: “vocês estão esperando o que?”. 

Santiê tem muita experiência e bom gosto pelas coisas boas. Já tendo apresentado sua obra algumas vezes, por durações de tempo diferentes e em montagens de cenas em ordens distantes, existe um trabalho maduro e com encantamento pelas propostas dadas.