Por Matheus Barbuio
O chão de sal é um não lugar, um lugar entre, um purgatório e também o protagonista da peça. Acompanhamos três crianças que estão nesse nem lá, nem cá e percebemos como elas estão no limiar de também se transformarem em um nada, algumas lutando contra esse fato, outras o abraçando.
O elenco faz um bom trabalho em construir esse grupo. Cada personagem é marcante da sua forma, ao mesmo tempo que elas juntas compõe muito bem esse coletivo infantil, seja no acolhimento, seja na repulsa.
Outro ponto alto é o trabalho da cenografia e da iluminação, já que estes constroem o protagonista: o cenário da peça. Esse espaço onírico é muito imersivo, é como se o público tivesse aberto uma porta e entrado em outra dimensão, os atores também ajudam nesse processo, pois sabem jogar com o que está a sua volta.
Por fim, o espetáculo não se preocupa em dar respostas fáceis, algo que faz sentido dentro do tema que é abordado. Quando saímos do teatro, tentamos lembrar da peça como quem tenta recordar de um sonho.
