Por Lucas Costa
A clássica história de Medeia que, abandonada por Jasão e expulsa de sua pátria por Creonte, vinga-se matando seus filhos, é aqui interpretada em uma chave performativa, explorando o mito em sua relação com as questões de abandono e culpa feminina no mundo contemporâneo.
A obra conta com um trabalho de cenografia, luz e figurino que trabalham muito bem articulados para criar belos quadros visuais, servindo a uma das maiores qualidades da apresentação, que é a direção de cena.
Contando a história por procedimentos rituais e simbólicos, em uma linguagem majoritariamente sensorial, o grupo compõe imagens marcantes que condensam múltiplos sentidos enquanto buscam a força direta do impacto sensível. A música ao vivo, executada pelo próprio elenco, é central para esse aspecto imersivo e quase hipnótico.
O destaque fica para o trabalho do elenco que está impecável nas cenas de coro, e que junta momentos de muita entrega física a um trabalho técnico muitas vezes refinado que vai da dança ao canto em cena.
