BUGRE – ao som de Ney Matogrosso

Por Matheus Barbuio 

Ao retratar um futuro em que as pessoas vivem com o potencial da morte pulsando o tempo todo, já que o governo tomou uma medida de já definir esse fato como uma forma de controlar o número da população, a peça nos coloca diante de fatos que já nos angustiam, que são facilmente compreensíveis e os evidência e potencializa nas personagens em cena.

As duas personagens principais têm formas bem diferentes de lidar com a morte. Embora estejam em um espetáculo que mostra que ainda tem muito para crescer, as atrizes já conseguem delimitar os fatos e as visões dessas mulheres por meio de narrações direcionadas para o público.

O grande potencial da obra são as canções de Ney Matogrosso, trazidas por meio de uma figura coringa do espetáculo. A peça já se define nos primeiros instantes, quando ela canta Balada do Louco atrás da plateia, com sua letra impositiva, cantada por uma voz cortante e potente, a canção já define esse futuro distópico. 

A presença do cantor se mantém ao longo da obra, sempre sabendo pontuar e evidenciar o que está no palco, criando um espetáculo que nos faz querer ver mais do que já nos foi mostrado.