por Marcio Tito
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“Zimba”, cujo título parece esconder o tema por alguns instantes, coleciona homenagens e, conforme evolui, rasga em milhares de frases e cenas a individualidade de um homem que repetidas vezes endereçou sua inteligência ao coração das artes e do teatro.
Com proposta inventiva e disposição cênica tão aguda quanto dedicada e autoral, o espetáculo empresta ao tema algo de profundamente intrínseco, sobretudo por saber conectar teatro e documento por meio de uma experiência habilidosamente cênica e feroz.
Sem recuo estético ou refugo formal, mesmo vez ou outra tropeçando na densidade dos diálogos nem sempre objetivos, o elenco ataca a criação por meio de impetuosas e apaixonadas interpretações. Logo, a radicalidade das presenças, nem sempre acompanhada pelo sisudo formalismo da produção, é quem mantém aceso um furor absolutamente bem-vindo e necessário para a saúde do teatro brasileiro de pesquisa.
Parece importante destacar também a maior das concepções da obra, colocada em sua estrutura dramatúrgica: embora a supracitada estratégia não pareça totalmente confirmada pelo jogo cênico. O material parece ter replicado a estrutura narrativa de Vestido de Noiva ao contexto da vida do gênio polonês Ziembinski, e, aqui, confluindo tantas estratégias narrativas, enxergamos um grupo com vívida paixão por pesquisa e autoria – e isso é quase tudo o que podemos desejar perante um elenco volumoso e tão aguerrido em relação às qualidades de figurino, cenário e interpretação.
Seguramente, uma das mais sólidas e oportunas montagens de todo o Festival Satyrianas.
