por Douglas Ricci
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Será que fazemos algum acordo cósmico antes de nascer aqui, nesse planeta? Seria justo nascer neste planeta, considerando-se que não nos são dadas as condições mínimas de sobrevivência? Como pode um ser humano morrer de fome em um mundo farto de recursos? Esse é o escândalo que a peça “Se a comida dos folhetos fossem comestíveis” expõe em sua poética e necessária encenação. Com uma dramaturgia ágil e envolvente, a peça acompanha a vida de dois irmãos gêmeos, um menino e uma menina, frutos de violência e que terão suas existências condenadas desde sua concepção.
Lançando mão dos poucos elementos que compõem a cena, os dois bravos atores vão criando imagens e apresentando a trama com farta poesia cênica. Sempre me chamam muito atenção as materialidades que compõem uma cena, e como elas se relacionam com o discurso do espetáculo. Nesta, o principal elemento são folhetos de supermercado anunciando seus convidativos produtos, que são usados com fluidez ao longo da narrativa, criando signos diversos.
A peça articula de forma bastante poética e assertiva os elementos da encenação e assim naturalmente faz o público mergulhar na narrativa, se emocionar com a história e sobretudo refletir a desigual e injusta condição humana.
