O clube secreto das perdas silenciadas

por Mariana Ferraz
[@marianaferrazmf]

Integrando a programação DramaMix, “O clube secreto das perdas silenciadas”
apresenta, por meio da atuação irretocável de Malu Frizzo, a urgente – mas
frequentemente obliterada – discussão em torno da perda gestacional. Com
texto de Carol Pitzer e direção de Camila Mesquita, “O clube secreto das
perdas silenciadas” oferece ao espectador um compilado de histórias,
depoimentos, narrativas íntimas e experiências de mulheres que, pela violência
estrutural que envolve o reconhecimento político e social quanto a uma
gravidez frustrada, encontram no texto de Pitzer uma circunstância segura para
dizer.

A execução de Malu intercala-se com áudios de outras mulheres, que se
desvelam para o público ao relatar, com valentia imperativa, os meandros e
minúcias de suas histórias. E tão robusto é o desempenho da atriz, que o
público inadvertido chega a ficar sem saber se “O clube secreto das perdas
silenciadas” diz respeito a uma narrativa autoficcional/biodramática – que
outorgaria à Malu, voz encarnada da dramaturgia, a supremacia
retroalimentada da primeira pessoa –. Ao fim e ao cabo, sabê-lo faz-se pouco
ou nada necessário para vincular-se ao texto, imiscuir-se na dor, indignar-se
com a pauta postulada pelo texto de Pitzer: como um chacoalhão astuto, o
espetáculo não apenas ilumina esta soturna, trágica e pouco tratada demanda,
como convoca o público ao estranhamento definitivo do silêncio.

Se o trabalho entregue em “O clube secreto das perdas silenciadas”, enquanto
formato DramaMix, já foi mesmo acachapante, a expectativa fomentada para
uma montagem acabada da peça foi perceptível, em termos de reverberação
pública, entre os que testemunharam a apresentação. Para tanto, espera-se
que o trio Pitzer-Mesquita-Frizzo prevaleça, que a articulação de sensibilidade
e labor dessas três mulheres é um regalo imenso ao teatro brasileiro.