por Douglas Ricci
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“Quem quer comprar livro ruim e barato?”, anuncia o camelô de “O bicho de São Sereré”, espetáculo solo do TeatrOfertantes, que presta uma homenagem a Plínio Marcos, que neste ano completaria 90 anos. A peça, baseada no romance Prisioneiro de uma canção do autor que foi visto como maldito pela crítica de seu tempo, mergulha no mundo do escritor camelô Frajola. O personagem é como um álter ego do famoso autor, e a peça então apresenta uma reflexão sobre sua escrita e mensagem.
Olhar o mundo ao redor e colocá-lo em palavras que geram imagens, que geram reflexões e que ficam como depoimento de um tempo, de uma forma de viver e ver o mundo, eis o trabalho do escritor. E de que serve uma literatura se ela não está circulando nas mãos, olhos e boca do povo? Essa parece ser a grande questão colocada por Frajola/Plínio ao compartilhar conosco, público, seu processo criativo, sua visão de mundo, suas anedotas e sua galeria de personagens, figuras que refletem uma sociedade injusta e escandalosamente desigual.
Vale destacar o trabalho do ator Cláudio Koca, que bravamente levou seu solo até o final, diante de uma pequena plateia, onde estávamos eu e outras duas pessoas. Estar em cena sozinho, com farto texto a ser enunciado já não é tarefa fácil, e ainda com pouco público em um espetáculo que pede interações com a plateia, deixa essa tarefa ainda mais complexa, e o ator soube dar o seu melhor nesta tarefa.
