Nada Especial

por Paulo Maeda
[@paulomaeda1]

O diretor e autor Renato Andrade pesquisa os diários e a biografia do
multiartista Andy Warhol. Em “Nada Especial” propõe um diálogo imaginário
entre Andy e uma voz interior, feminina, que em diversos momentos o
aconselha, o auxilia, dá força para entender o que viveu e o que está vivendo,
a aceitar suas sombras, seus desejos e entender seu imaginário pop.

A voz que fala do telefone, perde o contorno realista e ganha uma cumplicidade
profunda, a voz está dentro da mente do artista. E ela é uma metralhadora,
interpretada por Andressa Andreatto, dispara pérolas sobre produtos, sobre
sonhos, sobre traumas, sobre…e tudo num turbilhão cheio de nuances, em
certos momentos até mesmo a voz imaginária ganha protagonismo e Warhol
some para nos perdermos em seus devaneios mentais. Um adendo, a radical
Valerie Solanas, em 1968, entrou no clube The Factory (fundado por Warhol) e
acertou três tiros no artista, afirmando que ele tinha “demasiado controle sobre
sua vida”. Esse fato traz outra camada com a escolha da pessoa do outro lado
da linha.

André Grecco, por sua vez, cria um Warhol ligeiro, perspicaz e contraditório.
Em certos momentos com um olhar nos detém diante da solidão do artista. Em
outros anuncia suas vontades de criações de forma sarcástica e cínica, como
um programa de televisão com o título da peça. Quando a voz toma a cena,
observamos Warhol de fora de sua própria mente, uma figura “meio lynchiana”
espreitando seu outro lado. Imagens curiosas e sombrias junto ao rei da Pop
Art.