por Lucas Costa
[@lukacsgenerico]
Nesta aula dividida em cenas, um professor faz uma análise sociológica das
fezes, merda, bem como de estruturas culturais e sociais que giram em torno
de temas tabu.
Assim, no monólogo “Merda”, cria-se uma caricatura do professor universitário
que nos leva em uma reflexão sobre os processos básicos do corpo e uma
série de hierarquias que erigimos à partir daí. O personagem mobiliza
categorias da psicanálise para expor aquilo que costumamos deixar de lado,
dissecando, com muito humor, uma série de temas que vão da luta de classes
à religião para colocar em relevo nossa relação com o cocô e outras partes e
processos do corpo geralmente deixar escondidas, sem nenhuma cerimônia.
Com um texto que usa do recurso cômico para demolir a hierarquia operada na
divisão entre limpo e sujo, aquilo que pode ser mostrado e o que deve ser
ocultado, o brilho fica por conta da atuação que consegue acentuar ao máximo
os momentos engraçados enquanto mantém didatismo professoral para tornar
perfeitamente claro um texto complexo.
O espetáculo “Merda” colide com parte da filosofia contemporânea, fazendo
uma crítica à própria clínica como lugar de recalque e buscando desestabilizar
os papéis burocráticos que atribuímos na, digamos, “divisão do trabalho
corporal” em que o intestino aparece classe operária e oprimida.
