por Lucas Costa
[@lucaksgenerico]
Mulher que carrega todas as dores, após ver mortos os seus filhos e destruída sua cidade, Hécuba tem um encontro com uma menina cheia de sonhos nas ruínas de Tróia.
A montagem de Hécuba da companhia Experimentação Cênica nos brinda com um mergulho na mitologia grega para explorar a dor brutal da personagem que se encontra com uma garota que mantém o privilégio de poder sonhar, dando ar fresco para uma história já conhecida, mas que é fundamental que nos seja recontada. É ótimo ver um mito fundador encenado de maneira dramática.
É excelente o uso do coro e a disposição ritualística do cenário, com canções e coreografias muito bem executadas. O ator e todas as atrizes contribuem para um espetáculo narrativo imersivo, em que se ressalta a atuação impecável de Juliana Rocha no papel principal, carregando com profundidade toda a desolação de uma mãe dilacerada.
As ruínas são o lugar em que convivem os fantasmas de um passado morto com as forças do que ele poderia ter sido, signo da nossa transitoriedade e, simultaneamente, presença sublime dos tempos antigos. É ali que Hécuba anuncia o rompimento com os deuses indiferentes à condição humana e possibilita que uma jovem garota desbrave uma nova possibilidade de vida.
