Ei, maninha

por Douglas Ricci
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“Ei, maninha”, solo da atriz Shirley Sousa, levanta questões referentes à negritude e à violência sofrida pelos corpos de mulheres negras e periféricas em uma sociedade comandada por uma branquitude patriarcal. A partir de suas vivências, a atriz vai tecendo uma narrativa em que evoca seus ancestrais e sua grandeza e questiona essa sociedade branca patriarcal sobre sua dívida para com os verdadeiros herdeiros das riquezas desta terra.

A peça então se põe a questionar: quais corpos podem circular tranquilamente pela cidade? Quais corpos não são estigmatizados? Quais não são alvos de fetiche? O depoimento da atriz, no palco das Satyrianas 2025, afirma como resposta que não o da mulher negra. Não o da mulher negra, pobre e subalternizada.

A peça dá o seu importante recado, no entanto, acredito que poderia ganhar muito mais força se o importante discurso fosse ancorado nos recursos teatrais que podem ser explorados a partir dele. Se utilizar de momentos, climas, recortes de imagens, luz, atmosferas, elementos teatrais que ainda não se apresentam bem resolvidos na proposta de encenação.