por Marcio Tito
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Com alto nível de complexidade interior e pilotando a cena por meio de estruturas que transitam do simples-objetivo ao hermetismo, Balada de (uns) palhaço guarda consigo algumas importantes prerrogativas acerca do teatro experimental e faz acesas outras importantes contradições, sobretudo por dispor em cena a força de um mergulho radical mente conectado junto ao desejo de produzir um material reconhecível.
A cena, sim, postula sua crítica contra inúmeras camadas do Eu e do Outro, dando a ver o lugar desarmonioso do artista, sempre tomado pela ideia de versar acerca de um sujeito desconhecido, sendo assim, sólida e lentamente embarcados na solidão da figura, também notamo-nos procurando saber o que é que realmente desejamos perante uma peça de teatro.
Ao notarmos que hoje é dia de tensão e não de riso fácil, mediamente traídos pela figura do palhaço adornado por seu belíssimo figurino, vemo-nos, agora sim, libertos de qualquer função. Estamos, agora sim, sob a mesma pele que o palhaço: destinados a sabermos e não sabermos qual o nosso lugar, sobretudo porque, para tal ação, seria necessário sabermos qual o desejo da outra ponta – e aqui está a chave para o sentimento apresentado: precisaremos aceitar que estamos em trânsito e que, juntos, nos perderemos para sempre.
Se o palhaço faz piadas que não procuram nosso riso, o que é que poderia surgir se ríssemos de todas as coisas?
Qual seria a fisionomia final deste jogo entre traições e desarranjos?
Tecnicamente, ao contrário do postulado retórico, há falhas: excessos na ótima sonoplastia e frontalidade excessiva na boa direção de ator, contudo, como tornou-se tradição no teatro, tudo aparece totalmente suplantado por um intérprete entregue e por um texto que confessa o não dito.
