Camisa de Força

por Lucas Costa
[@lukacsgenerico]

A premissa de “Camisa de Força” é a seguinte: com o intuito de evitar lidar com
algumas questões incômodas, um homem se nega e retomar as sessões com
sua terapeuta, que insiste partir de um sonho estranho que o aflige.

“Camisa de força” se apresenta no festival como fragmento de uma obra ainda
em processo e já mostra idéias sólidas e muito bem executadas. Com cenário
e luz minimalistas, contando com apenas duas cadeiras em cena, o foco vai
para a dupla de atores que segura consistente todo o espetáculo entre
transições fluidas de personagem e interações com o público.

É como se visitássemos a cabeça de Birra, o protagonista, que passeia entre
os lugares de filho, de paciente clínico e de ator que interpreta seu
personagem, quando é obrigado a enfrentar, muito a contragosto, questões
recalcadas acerca  da relação com sua mãe e sua sexualidade, à partir de um
estranho sonho que tem com maionese, o que parece lhe causar, ao mesmo
tempo, repulsa e atração.

A masculinidade vai ao divã, nesta peça, com toda sua dificuldade em olhar
diretamente para si e revela os efeitos contraditórios de se ter uma mãe
autoritária e onipresente, com a qual o personagem vive uma eterna relação de
dependência, lançando um olhar analítico sobre apego a certa estrutura familiar
que, apesar de parecer confortável, coloca o desejo e o corpo em uma camisa
de força.